28 de mar de 2010

Se te devo

Devo
um riso triste
Ao desperdício do desejo.
Devo
um olhar morto
À poesia não dita.
Devo
palavras ásperas
A respostas nunca escritas.
É verdade,
Devo.
Muito do que sou
A alguém que não reconheço.

21 de jan de 2010

Campo alheio

Ando meio infértil de palavras... Será que já se disse tudo o que havia para ser dito? Colho, então, em campo alheio, sementes do que nunca plantei.

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"

Florbela Espanca, Cartas a Guido Battelli

23 de out de 2009

Chuva, letramento e chapinha

A chuva caía fina, porém ainda era preciso atravessar a rua e caminhar uns 30m para chegar ao auditório. Participaria de uma mesa-redonda para discutir O uso da oralidade como prática de letramento, mas estava dispersa e sem inspiração alguma aquele dia, "quem quer saber de estudos de oralidade num país em que as pessoas precisam de dentes, meu deus?!". Pensou em comprar um paraguas - desde que aprendera que "paraguas" era a palavra em espanhol para "guarda-chuva", decidiu substituir, definitivamente, esta por aquela -, mas não se vendem paraguas nos supermercados. Acabara de pintar e picotar os cabelos, "quanto mais picotados, mais aparecerão os cachos" - dizia Leandra, a hairstylist. Além disso, sobre a tinta fresca havia gel, mousse, pomade, e sabe-se lá que outras barbaridades ela havia passado ali. Resolveu, então, que um saquinho plástico serviria bem para cobrir-lhe a cabeça durante o curto percurso que ligava o supermercado ao auditório, mas quando chegou ao caixa, constatou que todas as sacolinhas eram verdes, de um verde-limão fosforescente como nunca havia visto antes.
Enquanto pensava no ridículo de cruzar a rua com um saco verde-limão-fosforescente na cabeça ("poluem menos por serem verdes, cacete?!!"), organizava minuciosamente os cachos sob a sacolinha ("apenas um semáforo e mais 30 metros..."), torcendo para não encontrar nenhum outro palestrante no caminho.
No meio do cruzamento, uma desconhecida de capa-de-chuva-cor-de-rosa e cabelos impecavelmente lisos, olhou-a com cumplicidade e sorriu: "Cada coisa que a gente tem de fazer pra manter a chapinha, né"? Perto delas, outras 4 ou 5 moças lutavam para proteger (uma delas usava um livro aberto!) a "lisura" dos cabelos da água que caía enquanto esperavam para atravessar a rua.
Quando o semáforo abriu, sorriu para a moça e deu meia volta. Precisava jogar fora a fosforescência que, inadvertidamente, cobria-lhe os belos e recém-picotados cachos.

18 de out de 2009

Devia olhar o rei

Devia olhar o rei
Mas foi o escravo que chegou
Para me semear o corpo de erva rasteira

Devia sentar-me na cadeira ao lado do rei
Mas foi no chão que deixei a marca do meu corpo

Penteei-me para o rei
Mas foi ao escravo que dei as tranças do meu cabelo

O escravo era novo
Tinha um corpo perfeito
As mãos feitas para a taça dos meus seios

Devia olhar o rei
Mas baixei a cabeça
Doce, terna
Diante do escravo.

(TAVARES, Ana Paula. Manual para amantes desesperados. Editorial Caminho: Lisboa, 2007)

6 de out de 2009

O retorno

Voltar pra São Paulo é isso: a realidade te atropela de tal maneira que você não consegue nem baixar as fotos da viagem pro computador pra poder postar no blog...

4 de out de 2009

Impressões a esmo II

Útima noite em Olinda. Na praça, o II FENAPOP, Festival Nacional da Poesia Popular, com repentistas de todo o nordeste fazendo sextilhas a partir dos mais variados motes. Maravilhoso. Depois, mais Festival de Jazz, hoje com uns holandeses, alemães ou sei lá que língua era aquela. Simone Soul tocava sua já conhecida percussão com eles. Acho que a vi no Sesc Vila Mariana em SP na mesma época em que assisti àquele sujeito gago que tocava cello. Muito engraçado esse show porque estava todo mundo muito sério até o sujeito começar a falar. Nunca vi alguém tão gago, não se entendia absolutamente nada do que ele falava. Aí uns meninos que estavam sentados bem na minha frente começaram a dar risada feito loucos. O teatro todo queria rir com eles, mas a educação não permitiu. O sujeito que estava ao lado sugeriu, delicadamente, que eles fossem dar uma volta. E eles foram. Fui logo depois, pois não havia mais condições de prestar atenção no som depois daquilo e a minha "adultez" não me permitiria aquela espontaneidade dos dois meninos.

Cheguei a Maria Farinha sob um sol de mais de 30º, fiquei embaixo do guarda-sol o tempo todo. Havia um prato à base de filé, diferenciado para ladies e para gentlemen. Para mulheres custava $20 e tinha um filé de 180 gr, já para os gentleman o filé era de 280gr e custava $25. Fiquei com o das ladies e comi muito bem. A propósito, o bife aqui é - literalmente - frito. Dá a impressão que eles jogam numa panela cheia de óleo fervendo, como se fossem fritar batatas. Por cima havia centenas de bolinhas de pimenta seca que pareciam ter sido fritas junto com o bife. Mortal.

A especialidade do bar da marina (assim mesmo com minúscula, porque não é a Marina morena Marina, mas aquela marina de guardar barcos) era uma "caipirosca nevada". Pedi. Afe! Veio um copo lotado até a boca de um gelo batido com o limão, a vodca e o açúcar, como se fosse uma raspadinha de caipirosca. Fraquinha que só, e você é obrigado a beber rapidamente pra não perder metade da bebida que vai descongelando e escorrendo, descongelando e escorrendo. Outro perigo dessas terras é que o calor dá uma sede do cão e você vai bebendo, vai bebendo...

Já li metade do romance do Agualusa. Pensei que não ia nem conseguir tirar da mala, mas veja só o que o descanso é capaz de fazer por uma pessoa esgotada como eu estava... Já consigo perceber o brilho voltando aos poucos pros olhos, as argolas do cabelo se revelando claramente enroladas e a pele ensaiando uma sombra de viço. Mas o melhor de tudo é que eu vejo a vontade de escrever se aproximando.
Êita!

3 de out de 2009

Impressões a esmo

Num dado momento, me senti como se estivesse num país outro, Moçambique, Angola, talvez. Gentes de cores diferentes, e suingues diferentes, uma explosão de sensações, carnaval, chorinho, jazz e serenata de uma só vez. Eu, ali no meio, só. Comigo e só, ao mesmo tempo que toda aquela gente me compunha. O frevo comendo solto de um lado, Chico Buarque e Paulo Vanzolini do outro, e no alto da rua, gentes francesas cantando com um povo de algum país africano. Coração batendo no ritmo dos tambores.

Em frente à pousada, há um café charmosíssimo. Fui hoje lá e fiquei lendo um pouco antes de ir pra todos esses eventos. É demais de bom, quem vier a Olinda, não pode deixar de conhecer a Estação 4 Cantos que, aliás, é do mesmo dono aqui da Pousada dos 4 Cantos. Aproveite pra conversar um bocado com o Rafael, um menino simpático, inteligente e mega atencioso que, além de tudo, é dono de um dos sorrisos mais bonitos da cidade. Tem também a Jayce, que é irmã da Joyce, outra garota simpatissíssima que trabalha na loja aqui da pousada e é neta de uma das figuras mais importantes do carnaval de Olinda, o Lorde, que trabalhou como garçon e era descendente de holandeses. Estou chegando à conclusão de que, mesmo sem querer, acabei caindo no melhor lugar de Olinda. É uma casa antiga, aconchegante e, ao mesmo tempo, tem uma visão super moderna de atendimento. Bom demais, devo agradecer à Dona da outra pousada que esqueceu de fazer a minha reserva?

Hoje fui à Ilha de Itamaracá. Oxe... que lugar é esse? Conheci o forte Orange (se diz Órangi) e o projeto Peixe Boi. Lá tem uns tanques enooooormes com 3 (ou 4??) peixes-boi (peixes-bois?) cada um do tamanho de uma baleia! Nunca havia visto tão grandes.

Ai, tá ficando bem difícil ter vontade de deixar isso aqui...

2 de out de 2009

Poema Quince


Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
Déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.


Este poema é do Neruda, mas a primeira vez que o ouvi, estava sendo lindamente cantado na voz de Mercedes Sosa. Pra quem não sabe, enquanto todas as minhas amigas ouviam Bee Gees, eu escutava os hinos de protesto latinoamericanos na voz grave e poderosa dessa cantora argentina. Hoje quando li que ela recebeu a extrema unção, pois só sobreviverá por milagre, pensei que, já que faz tanto tempo que não acontece um milagre por aqui, esse seria um excelente motivo pra que os caras lá do alto reiniciassem os trabalhos...
Meu coração, pela segunda vez nesta vida, se parte em milhares de minúsculos e "incoláveis" pedaços.

1 de out de 2009

Mestrado



Demorou, mas minha dissertação está no ar. Quem sabe agora a comemoração desencante e a gente possa comer aquele frango com quiabo que a minha mãe já prometeu pra mais da metade dos meus amigos...

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-03092009-141227/

Zeca Baleiro - 19/09

Não preciso dizer que o show foi uma delícia... Sem contar o teatro que é tudo de bom, quem ainda não conhece, precisa conhecer o teatro FECAP (Av. Liberdade, nº 532), pois ele tem uma acústica simplesmente fantástica.

8 de set de 2009

Hoje


"Eu hoje acordei tão só, mais só do que eu merecia;
eu acho que será pra sempre, mas sempre não é todo dia..."
(Oswaldo Montenegro)

24 de ago de 2009

Lee Cover


Mexer em antigas fotos dá nisso... Banda Lee Cover, lá pelos idos dos anos 90, no Café Piu Piu. Eu me montava toda pra cantar Miss Brasil 2000, era muuuuito divertido.... Essse vestidinho vermelho de crochê é dos anos 70 e foi da minha mãe, que comprou pra ir à formatura de uma prima minha. É ma-ra! Tenho até hoje...

21 de ago de 2009

Modernidade líquida

Eu tuito, tu tuitas, ele tuita... Eu orkuto, tu orkutas, ele orkuta... Eu blogo, tu blogas, ele bloga.... quando é que sobra tempo para nós facebookarmos? Acho que não vou dar conta de toda essa modernidade líquida...

15 de ago de 2009

Sabe tudo


"Border Collie é uma raça de cães desenvolvida na Grã-Bretanha. Descende de antigos cães pastores de renas, que foram trazidos para a Escócia durante as invasões vikings. Deve ser criado em espaços amplos e necessita de constantes exercícios. No Ranking de inteligência elaborado por Stanley Coren, o Border Collie é cotado como o cão mais inteligente do mundo. A convivência com outros cães e crianças costuma ser tranquila" (Wikipedia).

Foto: RODOLFO BUHRER/AE/AE (In:
http://noticias.uol.com.br/album/20090815sarney_album.jhtm?abrefoto=3#fotoNav=3)

Labiata

"São Paulo é um pouco como a faixa de Gaza... eu estou me sentindo no quintal de casa".



Não preciso dizer que o show foi maravilhoso. A luz estava simplesmente fabulosa. Adoro esse homem, sou tiete mesmo, fazer o quê?

14 de ago de 2009

É hoje!

Depois de enrolar o mês inteiro pra ir buscar a minha meia entrada lá no HSBC Brasil, é hoje! eu e ele, ele e eu... Adoro as canções desse pernambucano. Algumas delas, como "Paciência", mexem com o que a gente guarda lá bem fundo, num fundo qualquer do peito...

8 de ago de 2009

Fritando no cerrado


O cerrado aparece geralmente quando o solo é mais pobre que o circundante e caracteriza-se pela presença de árvores baixas, inclinadas e tortuosas, de tronco fino, com ramificações irregulares e retorcidas, com evidências de queimadas, e presença de grande quantidade de gramíneas no sub-bosque.

Pois é, mas pra quem acha que cerrado é sinônimo de "árvore torta", essa florzinha lindíssima e muito comum aqui nessas paragens, é a caliandra, também chamada "esponjinha". Ela surge do nada, com seu vermelho encarnado, no meio da aridez de uma vegetação que, como eu, frita sob um calor ardente de 35ºC.

30 de jul de 2009

Fotografia

No canto da boca, o riso incompleto de alguém que ainda não disse tudo. Estranhou vê-la, assim, congelada numa tela de computador... Tudo, então, ressurgiu vívido e quente em sua memória: o olhar desconfiado, sem entrega, de quem sempre temeu o pior, a urgência de vida pulsando nos seus pequenos gestos incompletos, as impossibilidades, os caminhos sem convergência. Sob a transparência da blusa branca, relembra contornos ainda não esquecidos e, secretamente, afaga-lhe a pele, a boca, os olhos e, por fim, envolve-se em suas delicadas mãos, como tantas vezes o fez, sobre aquele mesmo fundo azul em que escreveram suas incompreensíveis histórias de amor.

28 de jul de 2009

Julinas (3)

Deixa eu cantar...





Pro meu corpo ficar odara...





Minha cara...





Minha cuca ficar odara...



27 de jul de 2009

Julinas (2)


Faísca que rasga o vento é fogo que acende no mato.
Faísca que rasga o peito é amor de fogo encantado.
Mas faísca que rasga o tempo é a saudade dos apaixonados...


(Faísca, pointer, 15 anos, dorme de barriga cheia)

Julinas (1)


Eu vivo a vida a vida inteira
A descobrir o que é o amor
Leve pulsar do sol a me queimar
Não penso ter a vida inteira
Pra guiar meu coração
Eu sei que a vida é passageira
E o amor que eu tenho não!
Quero ofertar
A minha outra face à dor
Deixa eu sonhar com a tua outra face, amor


(Fogueiras: Música - Angela Rô Rô; Foto - Yanaí Mendes)

Dio come ti a mo

Estou numa fase "filme antigo" e a Turkha me manda uma cena dessas... O amor é lindo mesmo...

26 de jul de 2009

Intertexto


(colagem de fragmentos de Luvas de Pelica - Ana C. e Vidas Secas - G. Ramos, 2004)
Longe, na planície avermelhada, os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Não estou conseguindo explicar minha ternura, entende? Tínhamos caminhado o dia inteiro, estávamos cansados e famintos. Sei que não nasci para cigana e tenho o chamado “olho com pecados”, mas já fazia horas que procurávamos uma sombra. A folhagem dos juazeiros aparecia longe e através dos galhos pelados da caatinga rala, parecia que a viagem progredira três léguas. No fundo isso não é um livro, eu sei, sou eu, sou eu sombrio, cambaio, condenado do diabo, sou eu que você segura e sou eu que te seguro! Caio das páginas nos teus braços, teus dedos me entorpecem, teu hálito, teu pulso... Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se, estávamos no pátio de uma fazenda sem vida. O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também deserto. Repousado na areia do rio seco, eu mergulho dos pés à cabeça, delícia, mas agora chega!. Agora chega de saudade, segredo, impromptu, chega de passado passando em vídeo-tape impossivelmente veloz, repeat, repeat, quero o presente deslizando sobre essas plantas mortas.
Sei que não sou rato de biblioteca, não entendo quase aquele museu da praça, não tenho embalo de produção e você não lembra minhas palavras uma a uma. Sei que nos arrastamos para lá, devagar, que estivemos juntos e sozinhos. Mas depois sossegamos, deitamos, fechamos os olhos... Agora repouso minhas cartas e traduções de muitas origens, me espera uma esfera mais real que a sonhada, MAIS DIRETA, o negrume dos urubus à minha volta...
Adeus! Toma esse beijo só para você e não me esquece, mas eu poderei voltar. Te amo, ainda assim, parto. Opto pelo olhar estetizante, com epígrafe de mulher moderna desconhecida, qual bainha de faca de ponta. Enquanto isso, você tenta forçar a porta, incorpóreo, triunfante, morto.

24 de jul de 2009

Menino triste


Não há nada no mundo que possa explicar o fato de um menino de 19 anos dar um tiro na boca. Ainda que a tristeza seja tanta, que a dor tenha alcançado os limites do insuportável, ainda que toda a força que você conseguiu juntar tenha se transformado na mais pura vontade de morrer, juro que não consigo entender o fato de um garoto que eu vi criança tramar a própria morte e, ali mesmo, no seu quarto de menino, consumar o seu desejo de ir embora desse mundo de um jeito tão horrível, sem se despedir de ninguém.
E nós, que nem sabíamos que você era um menino assim tão triste, restamos, com o coração despedaçado de tristeza, pedindo pros nossos santos de fé pra que você, finalmente, tenha chegado a um lugar mais colorido.

18 de jul de 2009

Bonitices (3)


Na capota do carro, o azul do céu que já deixou saudade.

17 de jul de 2009

Bonitices (2)


As emas estão ao longo do toda a rodovia, nos passeios, nos arredores da cidade...

14 de jul de 2009

Bonitices (1)


Bonito é mesmo um lugar muito lindo.

29 de jun de 2009

Não é preciso saber mais nada...


De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada

De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei

Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso

Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada

Quase nada - Zeca Baleiro e Alice Ruiz

(Para MJ, que foi pra Aruanda antes que o mundo compreendesse que cada um tem o direito de ter a cor que bem entende)

22 de jun de 2009

Choram Marias e Clarices...


















Lançamento do Instituto Vladimir Herzog, dia 25/06, às 19h30, na Cinemateca (Lgo. Senador Raul Cardoso, 307, Vl. Clementino), com participação do Coral Luther King.

"A tarefa dos homens, a cada tempo, não é só preservar o passado, mas realizar as suas esperanças. Foi nesse famoso pilar, plantado pelo filósofo Walter Benjamin, que se inspiraram a família e os amigos de Vladimir Herzog para dar uma virada em três décadas de homenagens rotineiras e anunciar, para o dia 25 de junho, a criação do Instituto Vladimir Herzog. [...] O plano é criar um espaço físico em que se reúna a documentação - textos, fotos, filmes - para que seja usada por estudantes, principalmente", afirma Clarice, mulher do jornalista morto pela ditadura em 1975.
Leia a íntegra da matéria publicada no Estadão.

19 de jun de 2009

Aniversário

Leve então
O resto desta ilusão
E todos os cuidados meus
Brinquedos dos caprichos

É pena porque foi tão lindo amar
Sentir você sonhar tão junto a mim,
Ouvir tanta promessa,
Fazer tanta esperança,
Pra hoje ver lembrança, tudo enfim

Não passou
De um triste desencanto, amor,
E desde então eu canto a dor
Que eu não soube chorar

(Desencanto, Chico Buarque)


Sob o sol de gêmos, numa segunda-feira de um mundo ainda em guerra, nasceram os olhos verdes mais desejados desse planeta. Como dizem lá numa comunidade de que eu faço parte no Orkut, "Esqueça Freud e Jung: Chico Buarque te entenderia!"

18 de jun de 2009

Mais Mia Couto

E, a propósito de Mia Couto, na próxima 5ª feira, 25/06, às 19h, na Livraria Cultura da Av. Paulista, haverá um "encontro com o autor" para o lançamento do livro Antes de nascer o mundo.

Já na 6ª feira, 26/06, o moçambicano com sotaque de Guimarães estará no SESC Av. Paulista, das 18h às 20h, para um bate-papo (batepapo? bate papo?) com seus leitores - que deverão retirar ingresso com 1h de antecedência.

Eis o que aprendi nesses vales onde se afundam os poentes: afinal, tudo são luzes e a gente se acende é nos outros. A vida é um fogo, nós somos suas breves incandescências.

Fala de João Celestioso, ao regressar do outro lado da montanha (Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Cia.das Letras, 2003)

15 de jun de 2009

O único intruso era o tempo

[...] Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração, tudo iria, afinal, acabar. Porque ele anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem nada mais, nem outra mulher havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. Eu insisti, louca de tristeza. Não havia mesmo outra mulher? Não havia. O único intruso era o tempo, que nossa rotina deixara crescer e pesar. Ele se chegou e me beijou a testa. Como se faz a um filho, um beijo longe da boca. Meu peito era um rio lavado, escoado no estuário do choro.

Trecho do conto "A despedideira", de Mia Couto (In: O fio das missangas, Cia das Letras, 2009).

12 de jun de 2009

É bonito, é bonito...


Nosso sonho
se perdeu no fio da vida
e eu vou-me embora,
sem mais feridas,
sem despedidas
eu quero ver o mar...
eu quero ver o mar...
eu quero ver o mar...
Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música
Se lembrar dos tempos
Dos nossos momentos
Lembre da nossa música
Música...

eu quero ver o mar...

(Música - Liminha, Vanessa da Mata)

10 de jun de 2009

Cananeia - estudo do meio

É assim: Cananeia agora não tem mais acento...


nem sol...

nem calor...

nem mormaço...

Só uma chuva que insiste em chover fina, fria, arrepiando os cabelos, molhando os sentidos, nublando as ideias já de acentos perdidos...

Sei....


"Os gatos são caçadores naturais; contudo, mesmo que você tente humaniza-lo, nunca conseguirá anular esse comportamento. Os gatos caseiros caçarão mesmo bem alimentados. Desde pequenos, os gatinhos já brincam como caçadores. Brinque sempre que possível com o seu gatinho. Se o seu gato chegar em casa com um rato ou um passarinho na boca, e o colocar a seus pés, significa que está contribuindo com os alimentos da casa. O melhor que você tem a fazer é aceitar. Se você o repreender, ele pensará que não foi satisfatório e deverá caçar novamente, tentando agradar-lhe". (http://www.webciencia.com/)

Esse é o Gandalf, meu gato gordo... às vezes dorme, às vezes come, às vezes descansa - porque a vida não é nada fácil...