4 de out de 2009

Impressões a esmo II

Útima noite em Olinda. Na praça, o II FENAPOP, Festival Nacional da Poesia Popular, com repentistas de todo o nordeste fazendo sextilhas a partir dos mais variados motes. Maravilhoso. Depois, mais Festival de Jazz, hoje com uns holandeses, alemães ou sei lá que língua era aquela. Simone Soul tocava sua já conhecida percussão com eles. Acho que a vi no Sesc Vila Mariana em SP na mesma época em que assisti àquele sujeito gago que tocava cello. Muito engraçado esse show porque estava todo mundo muito sério até o sujeito começar a falar. Nunca vi alguém tão gago, não se entendia absolutamente nada do que ele falava. Aí uns meninos que estavam sentados bem na minha frente começaram a dar risada feito loucos. O teatro todo queria rir com eles, mas a educação não permitiu. O sujeito que estava ao lado sugeriu, delicadamente, que eles fossem dar uma volta. E eles foram. Fui logo depois, pois não havia mais condições de prestar atenção no som depois daquilo e a minha "adultez" não me permitiria aquela espontaneidade dos dois meninos.

Cheguei a Maria Farinha sob um sol de mais de 30º, fiquei embaixo do guarda-sol o tempo todo. Havia um prato à base de filé, diferenciado para ladies e para gentlemen. Para mulheres custava $20 e tinha um filé de 180 gr, já para os gentleman o filé era de 280gr e custava $25. Fiquei com o das ladies e comi muito bem. A propósito, o bife aqui é - literalmente - frito. Dá a impressão que eles jogam numa panela cheia de óleo fervendo, como se fossem fritar batatas. Por cima havia centenas de bolinhas de pimenta seca que pareciam ter sido fritas junto com o bife. Mortal.

A especialidade do bar da marina (assim mesmo com minúscula, porque não é a Marina morena Marina, mas aquela marina de guardar barcos) era uma "caipirosca nevada". Pedi. Afe! Veio um copo lotado até a boca de um gelo batido com o limão, a vodca e o açúcar, como se fosse uma raspadinha de caipirosca. Fraquinha que só, e você é obrigado a beber rapidamente pra não perder metade da bebida que vai descongelando e escorrendo, descongelando e escorrendo. Outro perigo dessas terras é que o calor dá uma sede do cão e você vai bebendo, vai bebendo...

Já li metade do romance do Agualusa. Pensei que não ia nem conseguir tirar da mala, mas veja só o que o descanso é capaz de fazer por uma pessoa esgotada como eu estava... Já consigo perceber o brilho voltando aos poucos pros olhos, as argolas do cabelo se revelando claramente enroladas e a pele ensaiando uma sombra de viço. Mas o melhor de tudo é que eu vejo a vontade de escrever se aproximando.
Êita!

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