18 de out de 2009

Devia olhar o rei

Devia olhar o rei
Mas foi o escravo que chegou
Para me semear o corpo de erva rasteira

Devia sentar-me na cadeira ao lado do rei
Mas foi no chão que deixei a marca do meu corpo

Penteei-me para o rei
Mas foi ao escravo que dei as tranças do meu cabelo

O escravo era novo
Tinha um corpo perfeito
As mãos feitas para a taça dos meus seios

Devia olhar o rei
Mas baixei a cabeça
Doce, terna
Diante do escravo.

(TAVARES, Ana Paula. Manual para amantes desesperados. Editorial Caminho: Lisboa, 2007)

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