28 de jul. de 2009

Julinas (3)

Deixa eu cantar...





Pro meu corpo ficar odara...





Minha cara...





Minha cuca ficar odara...



27 de jul. de 2009

Julinas (2)


Faísca que rasga o vento é fogo que acende no mato.
Faísca que rasga o peito é amor de fogo encantado.
Mas faísca que rasga o tempo é a saudade dos apaixonados...


(Faísca, pointer, 15 anos, dorme de barriga cheia)

Julinas (1)


Eu vivo a vida a vida inteira
A descobrir o que é o amor
Leve pulsar do sol a me queimar
Não penso ter a vida inteira
Pra guiar meu coração
Eu sei que a vida é passageira
E o amor que eu tenho não!
Quero ofertar
A minha outra face à dor
Deixa eu sonhar com a tua outra face, amor


(Fogueiras: Música - Angela Rô Rô; Foto - Yanaí Mendes)

Dio come ti a mo

Estou numa fase "filme antigo" e a Turkha me manda uma cena dessas... O amor é lindo mesmo...

26 de jul. de 2009

Intertexto


(colagem de fragmentos de Luvas de Pelica - Ana C. e Vidas Secas - G. Ramos, 2004)
Longe, na planície avermelhada, os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Não estou conseguindo explicar minha ternura, entende? Tínhamos caminhado o dia inteiro, estávamos cansados e famintos. Sei que não nasci para cigana e tenho o chamado “olho com pecados”, mas já fazia horas que procurávamos uma sombra. A folhagem dos juazeiros aparecia longe e através dos galhos pelados da caatinga rala, parecia que a viagem progredira três léguas. No fundo isso não é um livro, eu sei, sou eu, sou eu sombrio, cambaio, condenado do diabo, sou eu que você segura e sou eu que te seguro! Caio das páginas nos teus braços, teus dedos me entorpecem, teu hálito, teu pulso... Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se, estávamos no pátio de uma fazenda sem vida. O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também deserto. Repousado na areia do rio seco, eu mergulho dos pés à cabeça, delícia, mas agora chega!. Agora chega de saudade, segredo, impromptu, chega de passado passando em vídeo-tape impossivelmente veloz, repeat, repeat, quero o presente deslizando sobre essas plantas mortas.
Sei que não sou rato de biblioteca, não entendo quase aquele museu da praça, não tenho embalo de produção e você não lembra minhas palavras uma a uma. Sei que nos arrastamos para lá, devagar, que estivemos juntos e sozinhos. Mas depois sossegamos, deitamos, fechamos os olhos... Agora repouso minhas cartas e traduções de muitas origens, me espera uma esfera mais real que a sonhada, MAIS DIRETA, o negrume dos urubus à minha volta...
Adeus! Toma esse beijo só para você e não me esquece, mas eu poderei voltar. Te amo, ainda assim, parto. Opto pelo olhar estetizante, com epígrafe de mulher moderna desconhecida, qual bainha de faca de ponta. Enquanto isso, você tenta forçar a porta, incorpóreo, triunfante, morto.

24 de jul. de 2009

Menino triste


Não há nada no mundo que possa explicar o fato de um menino de 19 anos dar um tiro na boca. Ainda que a tristeza seja tanta, que a dor tenha alcançado os limites do insuportável, ainda que toda a força que você conseguiu juntar tenha se transformado na mais pura vontade de morrer, juro que não consigo entender o fato de um garoto que eu vi criança tramar a própria morte e, ali mesmo, no seu quarto de menino, consumar o seu desejo de ir embora desse mundo de um jeito tão horrível, sem se despedir de ninguém.
E nós, que nem sabíamos que você era um menino assim tão triste, restamos, com o coração despedaçado de tristeza, pedindo pros nossos santos de fé pra que você, finalmente, tenha chegado a um lugar mais colorido.

18 de jul. de 2009

Bonitices (3)


Na capota do carro, o azul do céu que já deixou saudade.

17 de jul. de 2009

Bonitices (2)


As emas estão ao longo do toda a rodovia, nos passeios, nos arredores da cidade...

14 de jul. de 2009

Bonitices (1)


Bonito é mesmo um lugar muito lindo.

29 de jun. de 2009

Não é preciso saber mais nada...


De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada

De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei

Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso

Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada

Quase nada - Zeca Baleiro e Alice Ruiz

(Para MJ, que foi pra Aruanda antes que o mundo compreendesse que cada um tem o direito de ter a cor que bem entende)

22 de jun. de 2009

Choram Marias e Clarices...


















Lançamento do Instituto Vladimir Herzog, dia 25/06, às 19h30, na Cinemateca (Lgo. Senador Raul Cardoso, 307, Vl. Clementino), com participação do Coral Luther King.

"A tarefa dos homens, a cada tempo, não é só preservar o passado, mas realizar as suas esperanças. Foi nesse famoso pilar, plantado pelo filósofo Walter Benjamin, que se inspiraram a família e os amigos de Vladimir Herzog para dar uma virada em três décadas de homenagens rotineiras e anunciar, para o dia 25 de junho, a criação do Instituto Vladimir Herzog. [...] O plano é criar um espaço físico em que se reúna a documentação - textos, fotos, filmes - para que seja usada por estudantes, principalmente", afirma Clarice, mulher do jornalista morto pela ditadura em 1975.
Leia a íntegra da matéria publicada no Estadão.

19 de jun. de 2009

Aniversário

Leve então
O resto desta ilusão
E todos os cuidados meus
Brinquedos dos caprichos

É pena porque foi tão lindo amar
Sentir você sonhar tão junto a mim,
Ouvir tanta promessa,
Fazer tanta esperança,
Pra hoje ver lembrança, tudo enfim

Não passou
De um triste desencanto, amor,
E desde então eu canto a dor
Que eu não soube chorar

(Desencanto, Chico Buarque)


Sob o sol de gêmos, numa segunda-feira de um mundo ainda em guerra, nasceram os olhos verdes mais desejados desse planeta. Como dizem lá numa comunidade de que eu faço parte no Orkut, "Esqueça Freud e Jung: Chico Buarque te entenderia!"

18 de jun. de 2009

Mais Mia Couto

E, a propósito de Mia Couto, na próxima 5ª feira, 25/06, às 19h, na Livraria Cultura da Av. Paulista, haverá um "encontro com o autor" para o lançamento do livro Antes de nascer o mundo.

Já na 6ª feira, 26/06, o moçambicano com sotaque de Guimarães estará no SESC Av. Paulista, das 18h às 20h, para um bate-papo (batepapo? bate papo?) com seus leitores - que deverão retirar ingresso com 1h de antecedência.

Eis o que aprendi nesses vales onde se afundam os poentes: afinal, tudo são luzes e a gente se acende é nos outros. A vida é um fogo, nós somos suas breves incandescências.

Fala de João Celestioso, ao regressar do outro lado da montanha (Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Cia.das Letras, 2003)

15 de jun. de 2009

O único intruso era o tempo

[...] Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração, tudo iria, afinal, acabar. Porque ele anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem nada mais, nem outra mulher havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. Eu insisti, louca de tristeza. Não havia mesmo outra mulher? Não havia. O único intruso era o tempo, que nossa rotina deixara crescer e pesar. Ele se chegou e me beijou a testa. Como se faz a um filho, um beijo longe da boca. Meu peito era um rio lavado, escoado no estuário do choro.

Trecho do conto "A despedideira", de Mia Couto (In: O fio das missangas, Cia das Letras, 2009).

12 de jun. de 2009

É bonito, é bonito...


Nosso sonho
se perdeu no fio da vida
e eu vou-me embora,
sem mais feridas,
sem despedidas
eu quero ver o mar...
eu quero ver o mar...
eu quero ver o mar...
Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música
Se lembrar dos tempos
Dos nossos momentos
Lembre da nossa música
Música...

eu quero ver o mar...

(Música - Liminha, Vanessa da Mata)

10 de jun. de 2009

Cananeia - estudo do meio

É assim: Cananeia agora não tem mais acento...


nem sol...

nem calor...

nem mormaço...

Só uma chuva que insiste em chover fina, fria, arrepiando os cabelos, molhando os sentidos, nublando as ideias já de acentos perdidos...

Sei....


"Os gatos são caçadores naturais; contudo, mesmo que você tente humaniza-lo, nunca conseguirá anular esse comportamento. Os gatos caseiros caçarão mesmo bem alimentados. Desde pequenos, os gatinhos já brincam como caçadores. Brinque sempre que possível com o seu gatinho. Se o seu gato chegar em casa com um rato ou um passarinho na boca, e o colocar a seus pés, significa que está contribuindo com os alimentos da casa. O melhor que você tem a fazer é aceitar. Se você o repreender, ele pensará que não foi satisfatório e deverá caçar novamente, tentando agradar-lhe". (http://www.webciencia.com/)

Esse é o Gandalf, meu gato gordo... às vezes dorme, às vezes come, às vezes descansa - porque a vida não é nada fácil...

8 de jun. de 2009

Tempo, tempo, tempo, tempo... és um dos deuses mais lindos

Certa feita, gostei muito de um moço. Quase me casei, é fato, mas, antes que isso acontecesse, olhei bem pra ele e vi que não daria certo. Eu já havia saído de um casamento que foi um naufrágio total e vi, nesse moço de quem gostava, defeitos muito parecidos com os que haviam me afastado do ex. Enfim....
Anos e anos se passaram e, semana passada, do nada, sonhei com ele. Nos encontrávamos numa espécie de repartição pública, ou banco... qualquer coisa assim. No início, eu disfarcei, mas ele me viu. Aí eu encarei e fui até lá falar com ele e foi um encontro muito legal, confesso, trocamos um looooongo abraço.
Quando acordei, não havia saudade, arrependiento, vontade de voltar o tempo, vontade de revê-lo, nada disso... ficou apenas a sensação boa daquele abraço que trocamos ali, na fila do banco.
O problema é que ele estava exatamente como era há 10 anos, quando nos vimos pela última vez, mas nesses dez anos eu envelheci, engordei, emagreci, engordei de novo, arranjei cabelos brancos que disfarço com tinta vermelha... enfim, mudei! e ele ali do mesmo jeitinho, que injustiça!
Mas passou.
Hoje recebi um recado de uma amiga pelo orkut e, quando fui responder, qual não foi a minha surpresa: havia uma foto da família dela e ele estava lá, eram muito amigos. Cliquei, não resisti. Não preciso dizer que quase chorei de tristeza... como ele envelheceu, meu deus... acho que uns 20 anos em 10, está mais magro, os olhos caídos, o cabelo branco, barba por fazer, nossa!!!!

Como o tempo foi bom comigo... e o destino também.

16 de mai. de 2009

Preguiça....


Mas um dia desses
Eu vou fugir de casa
E não volto, e não volto
Vou bater as asas,
Só vou levar comigo
O retrato do meu gato
Companheiro dessa minha melancolia...
E você me pede
Pra ter paciência
E juízo, e juízo
Mas o que eu gosto
É de andar na beira
Do abismo, abismo
Arriscando minha vida por um pouco de emoção
Eu e meu gato,
Ele na cama,
Eu no telhado,
Ele sem as botas e eu sem grana

(Eu e meu gato, Rita Lee)

Esse é o Neo, meu gato magro, às vezes lorde, às vezes estivador.

2 de mai. de 2009

Em extinção?

Amanhã é aniversário do meu pai e ele adora maxixe.
Resolvemos, então, fazer bacalhau com maxixe no almoço: era só passar na feira hoje de manhã e comprar o legume (fruto??) espinhento.
Quem disse?
Nada.
Em nenhuma barraca!
Mas ainda restava o sacolão.
Aqui perto de casa tem um ótimo, que tem de tudo,
até frutas estranhas como cajá-manga, marolo e abiu.
Necas...
Não se vende mais maxixe nesta terra.
E chicória, então, alguém sabe o que é?
Ora-pro-nobis, mostarda, taioba, couve-tronchuda, bertalha?
Imagine!
Fica aqui a pergunta que não quer calar: esses alimentos entraram em extinção
ou as pessoas passaram a comer, em casa, apenas as verduras e os legumes fast-food
- tipo cenoura, vagem, couve, beterraba -
que comem durante a semana nos quilinhos?

29 de abr. de 2009

Defesa de mestrado

Três longos anos e mais três longas horas: eis que tudo acabou. Sobrou a ressaca do texto que pretendia sobre aquele que consegui. Agora é ler Guimarães e todos os outros que me esperam na poeira desse tempo todo...

21 de abr. de 2009

Que horas são?

Terça feira, curto fim de feriado...

17 de abr. de 2009

Naquela estação

Sexta-feira, véspera imensa de feriado, signo de viajante.
A volta do trabalho, o cansaço dos últimos dias que mais parece de uma vida inteira - e o rádio do carro ainda sintonizado naquela estação. (E não é que essa canção é de Caetano?)
Gris tomando conta da tarde. É o céu que parte em busca de outro vento fingindo novos cheiros de chuvas.
"Não vai chover em São Paulo neste fim de semana", repete austera a meteorologista sem rosto. Pena... toda a chuva chovesse, não lavaria teu rastro embora.
E o rádio do carro - impassível ao arco-iris do caminho - sintoniza, insistente, aquela estação.

13 de abr. de 2009

Educação e tecnologias

Matéria publicada no UOL Educação que teve a contribuição desta blogueira. Obviamente, de todas as coisas legais que eu falei, a jornalista só publicou a frase de efeito...

Internet ainda é pouco usada em salas de aula do país

12 de abr. de 2009

Chocolate....

... e regime são duas coisas que não combinam. Definitivamente. Não dá pra encarar um regime com a cabeça erguida se no meio do caminho tinha uma páscoa, tinha uma páscoa no meio do caminho. E, venhamos e convenhamos, chocolate diet é uma merda.
A solução é meter mesmo o pé na jaca e amanhã encarar a esteira por uns 40 minutos pelo menos (além de dar um fim digno e urgente para aquela caixa de bombons maravilhosos que está esperando lá na geladeira ...)

9 de abr. de 2009

Desejos de Páscoa


Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...
(Paciência, Lenine, Dudu Falcão)

25 de mar. de 2009

Fogo

Ante o nada,
hoje,
o eco das últimas sílabas
habita
involuntário,
insano,
o peito.
Fere amor com seu sarcasmo,
oculta amarga veia da saudade,
viola sentimentos, sentidos.
Desvãos.
O alimento em gotas do desejo
é o fogo denso,
vivo,
a queimar
(quase secreto)
no invisível
brilho dos teus olhos.

19 de mar. de 2009

Milênios de silêncio



Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

(nada mais bonito do que Chico Buarque pra quebrar milênios de silêncios e soprá-los no ar)

8 de mar. de 2009

Nega

(Foto:Wonia Khalil)

Levantou cedo e perguntou pra patroa se a camisa da seleção estava limpa e passada. “Na gaveta!”, respondeu a nega. Não valia muito essa nega, mas de uma coisa não podia reclamar: a casa, a roupa e os meninos andavam sempre um brinco. Tá certo que de vez em quando tinha de levar uns sopapos pra aprender a obedecer. “Mulher tem que apanhar pra não sair da linha”.
Lá pela hora do almoço, os amigos apareceram. Companheiros de bar, de sinuca, de cerveja e TV em dia de jogo. A nega fez feijoada e serviu um caldinho de feijão pra abrir o apetite. Caipirinha e cerveja ‘a rodo’, pandeiro, timba, pagode: esse ano o Brasil seria campeão.
Depois do almoço, quase três da tarde, Galvão Bueno já dava a escalação: Juninho Pernambucano na armação no lugar de Ronaldinho, e o Gaúcho na frente no posto de Adriano. “Bom!”, diziam uns, “O Parreira tá louco!”, apostavam outros, “Que que é isso?”, gritava alguém lá do fundo. De repente, a nega soltou: “desse jeito, a gente acaba perdendo pra França!”. O tapão voou rápido, não deu nem pra correr. “Cala esse boca, sua nega vadia! Não vê que dá azar falar em perder tão perto do jogo começar?”. Ela virou as costas, o rosto vermelho, ardendo e praguejou baixinho: “pois tomara que perca mesmo!”. Ele ouviu. Tentou pular no pescoço dela, mas alguém segurou. “Some da minha frente, sua vagabunda! Se o Brasil perder eu te mato! Te mato, ouviu?” A nega sumiu no mundo. “Sossega” pra cá, “deixa disso” pra lá, começa o jogo.
Uma lástima. A seleção jogou mal, os franceses arrasaram. Zidane estava com o capeta no corpo, enquanto Ronaldo, Roberto Carlos e Cafu pareciam plantados no campo de tão duros que estavam. “É hoje que eu mato aquela nega!”, dizia ele. Daqui a pouco o gol da França. Henry. Silêncio geral. Depois, o jogo morno e os amigos tentando tirar a idéia de sua cabeça. “Deixa disso, homem, os caras tão jogando muito mal mesmo hoje, ela não teve culpa.”. Não adiantava. Ele estava furioso. No fim do jogo, cada qual com seu cada qual, um a um os amigos foram embora. Ele esperou a nega aparecer. Cochilou no sofá e nada dela.
Dormiu. Manhãzinha, antes das 5, ele já coando café, ela entra pelos fundos. “Desculpa, Zé, não falei por mal...” Ele não respondeu. Ela quis chegar junto, fazer um carinho e ele nada. “Vou preparar tua marmita. Preciso acordar as crianças, tá na hora de ir pra escola”. Nessa hora veio o soco. Forte. Certeiro no meio da boca. Sangrou. O dente da frente saiu vermelho na mão dela, caída que estava no chão da cozinha. “Tua sorte é que eu te amo, nega vagabunda. Dessa vez não vou te matar não, porque a culpa foi do Parreira que demorou muito pra botar o Robinho, mas da próxima...” A nega levantou, jogou o dente no lixo e, feliz da vida com o amor revelado, colocou mais um pedaço de lingüiça na feijoada do seu homem.

(Texto republicado em homenagem ao Dia Internacional da Mulher)

Cães, muitos cães


Ando com vontade de ter um cachorro. Este fim de semana foi muito legal porque - apesar de termos chegado às 9h30 pra uma caminhada que começava às 8h, conhecemos o Marcelo, que é adestrador, e conversamos muuuuito com ele sobre cães, e raças, e dobermans burros, e chow-chows mordedores, e pastores alemães fabulosos, e cockers amarelos matadores. Quem se deu bem foram o Kevin e a Bebel, devidamente amassados e apertados, e o Beco e a Dora, que ganharam os melhores carinhos do mundo (mesmo sendo pela grade do portão).

25 de fev. de 2009

Praia e carnaval

Carnaval combina com praia. É verdade que também combina com mato, avião, estrada... O destino não importa muito, afinal são cinco dias pra sumir de São Paulo e cair no mundo, mas se for pra praia, melhor.
O problema de juntar praia e carnaval é um só: gente demais. Mas praia é lindo, tem aquele vento, a areia, o calor... AH, O CALOR!!! Pouca roupa, dois ventiladores soprando em cima de você a noite toda, o corpo tudo grudando... Aquela dificuldade doida pra dormir, os mosquitos picando seu pé e fazendo aquele barulhinho delicioso bem no seu ouvido... E pra completar, gente por todos os lados. Vizinhos com a TV ligada e a porta aberta, aquela falação às 6 da manhã, quando você finalmente consegue dormir

18 de fev. de 2009

Sdacxovecdsd

Adoro sapatos. Tenho uma verdadeira coleção da Side Walk, originária dos desejos de consumo de quem trabalhava em banco e só podia usar escarpin. O problema da Side Walk é que eles quase não têm sapatos pretos, é tudo muito marrom, vermelho... e eu estava muito a fim de uma sandália preta. Além disso, tudo lá é muito informal e, nos últimos tempos, tem me dado uma vontadinha de me vestir que nem menina de vez em quando... Aí eu o (a?)vi.
Estava no Shopping Ibirapuera, já subindo a escada rolante pra ir embora, quando olho pra uma vitrine. Desço de novo. Experimento? Experimento. No começo, fiquei meio relutante: era muito alto e eu queria uma sandália, só que ele era um sapato.
-- Que sapato, mãe, tá louca? Isso é sandália!
-- Como assim? Sandália é aberta e isso aqui é fechado, só tem essa aberturinha no bico.
-- Mas é sandália, mãe, sapato é fechado!!! Isso é um sdacxovecdsd!!!
-- Hein?
-- Sdacxovecdsd!!!
Ainda não sei muito bem se é sapato ou sandália. Pra dizer a verdade, não faço a menor ideia do nome do negócio. Só sei que é preto, lindo e alto, e eu estou me sentindo poderosíssima com meu sdacxovecdsd novo.

17 de fev. de 2009

Colo

O sol à beira da estrada
Poeira na contramão
O mato, o cheiro da terra e o chão

Azul molhado da tarde
A noite, a lua, a canção
Amor que chega e me abraça
Vou te levar aonde eu for
E o meu caminho leva onde o teu me disser

Vontade de deitar no colo
Eu nunca mais vou te deixar dormir
Reter cada momento, te seguir

O vento vem te roubar
O abraço, o nada, a razão
É noite fria no coração

Azul queimado da tarde
Saudade, fogo, paixão
Amor vai'mbora e me deixa
Vou te lembrar aonde eu for
Mas teu caminho é outro tempo que saberá,

Vontade de ficar mais tempo
E nunca mais querer te ver partir
O mundo te levou, eu deixo ir


(1995 - parceria com o Crica para a banda "Kin e os Serafins")

9 de dez. de 2008

Encontro

Bar Brahma, 19h15, terça-feira. Um convite pra beber com uma amiga, e descubro a possibilidade de um ícone. Não que eu seja uma fã propriamente dita, mas confesso que a curiosidade sempre me fez desejar assistir a um de seus shows. Um showman, um crooner brilhante, um ícone: palavra que se encaixa perfeitamente àquele a que vou assistir esta noite.
Enquanto espero minha amiga, o pianista toca Beatles, uma escolha fantasticamente apropriada, já que foi essa amiga - fã incondicional dos meninos de Liverpool - quem me apresentou aos ingleses nos idos dos 80.
Ansiedade. Eu costumava brincar que não podia morrer sem assistir a um show do Cauby Peixoto. Podem dizer o que quiserem, que é brega, que está ultrapassado, que sua peruca e seu terno de strass vermelho são ridículos. Tudo se transforma em pó quando o niteroiense (adjetivo horrível!) abre a boca e solta sua voz de timbre grave e aveludado.
Eu ficava imaginando “onde esse homem canta? Provavelmente no Rio...” Cheguei a imaginar um programa de fim-de-semana, avião, hotel, show no Canecão, hotel, avião... mas não foi possível. O tempo passou e hoje estou aqui, à espera. É estranho pensar que planejei este encontro em dois diferentes momentos de minha vida e não deu certo... Sozinha, espero pelo ídolo. Não importa. Talvez esse deva ser um instante só meu mesmo, meu e do Cauby, sem fotos, sem registros, sem testemunhas. Apenas um antigo desejo que insistiu em não ir embora.
Silêncio no piano, palmas. Ele toma o espetáculo e eu me calo para ouvi-lo.

(texto antigo... ando arrumando gavetas...)

1 de dez. de 2008

Delonga

Às vezes sinto saudades da escrita. Acariciar palavras, embaralhá-las, sentir nas mãos sua textura. Noutras, sinto saudades do tempo, seu contar de horas caminhando lentas, delongadas uma após a outra. Há vezes, ainda, em que sinto saudades de uma areia viscosa e densa a tocar-me os pés e roçar-me o corpo, trazida grão a grão pelo vento quente. Saudades de ler Rimbaud e, boêmio, ter com ele. Versos de amor infinito a invadir a alma.
Emaranhada em novelos de palavras, me desfaço tempo, areia, saudade.

16 de out. de 2008

Dia do professor


Ontem foi o dia do professor e enviei um email para alguns professores queridos com um trecho lindíssimo retirado do "Aula", do Barthes, em que ele diz assim:
"Há uma idade em que se ensina o que se sabe; mas vem em seguida outra, em que se ensina o que não se sabe: isso se chama pesquisar. Vem talvez agora a idade de uma outra experiência, a de desaprender, de deixar trabalhar o remanejamento imprevisível que o esquecimento impõe à sedimentãção dos saberes, das culturas, das crenças que atravessamos. Essa experiência tem, creio eu, um nome ilustre e fora de moda, que ousarei tomar aqui sem complexo, na própria encruzilhada de sua etimologia: Sapientia: nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria, e o máximo de sabor possível".
Recebi várias respostas e uma, particularmente, me tocou muito, pois veio de uma mestra por quem tenho um enorme respeito. Ela terminou dizendo "você é uma professora". E eu achei isso um elogio tão bonito...
Tenho tentado realmente me tornar uma professora desde que deixei de ser bancária. É uma tarefa às vezes bastante difícil, principalmente porque eu não tenho mais 20 anos, mas eu adoro. É claro que há momentos em que você quer sumir do mapa, mas eles passam. No início desse ano, por exemplo, aceitei trabalhar numa escola que me pareceu bem legal, mas aos poucos foi se revelando um tormento. Diretor e orientador pedagógico passando em frente à sua sala de aula e perguntando umas 5 vezes por dia "tudo bem aí?" era pouco. Era só falar alguma coisa diferente com um aluno que eu já sabia que no dia seguinte ia "dar salinha". Às segundas-feiras eu tinha uma aula vaga e era batata! "Lina, compareça à minha sala, por favor... O aluno fulano de tal disse que você deu uma nota baixa pra ele, podemos conversar?" E lá se ia a aula vaga toda com as minhas justificativas. No primeiro semestre ainda deu pra levar, mas a volta das férias de julho tornou-se um martírio. Tudo o que eu falava ou fazia era motivo pra reunião. Em contrapartida, nos encontros com a coordenadora de Português tudo parecia normal: "Não dê atenção", "Mantenha a calma...", "Você está certa, é isso mesmo...", "Seu trabalho está ótimo...".
Um belo dia, eu chego pra ela e digo que vou pedir demissão. "Não faça isso, estamos no meio do ano, teremos problemas pra encontrar outra pessoa agora..." Eu digo que não tem problema, fico até que encontrem essa outra pessoa e ela responde "mas isso será péssimo para seu currículo". Marinheira de quase primeira viagem, decido ouvir, então, a voz da experiência e ficar. Dez dias depois, com a graça de Deus, eles me mandam embora.
Sem entender direito, me pergunto: "que diabos foi isso, se eu pedi demissão outro dia e eles não aceitaram?"
Melhor assim. Ética profissional a gente não encontra mesmo em qualquer material didático, por mais bonita que possa parecer a capa.
Agora que já se passou algum tempo, eu me lembro das palavras da coordenadora (de que meu trabalho era ótimo, isso ia sujar meu currículo, blá, blá, blá...) e, parafraseando uma amiga, pergunto: "e quem disse pra você que eu vou colocar essa escola horrorosa no meu currículo?"

6 de out. de 2008

Mais um verão

Gosto muito desse moço. E de suas canções, claro. Sempre gostei. Houve uma época em que não tinha dinheiro pra comprar seus discos e ficava correndo os sebos do centro da cidade atrás de um LP usado. Era um tempo de pouca grana, mas de muitos sonhos e eu sabia de cor todas as suas canções que me levavam pra um lugar distante, que eu nem sabia direito onde era, mas preenchia meu desejo de uma vida longe de São Paulo.
Sábado fui assistir a seu show no Credicard Hall e pude relembrar desse tempo em que, entre outras coisas, eu tinha tempo pra cantar e até pra me arriscar a compor algumas canções que falavam de terra, mato e esperança de um dia sumir daqui. Eu tinha, então, 20 anos, todo o tempo do mundo e sabia quem eu era e o que eu queria. É claro que não saí de São Paulo, casei, separei, parei de cantar, me atolei no trabalho e me esqueci de tudo aquilo, inclusive de que eu gostava tanto desse moço. E de suas canções, claro.
Saí do show desse caboclo lindo (que agora usa óculos) sob chuva forte, com 2 CDs que eu ainda não tinha e que a Juju me deu, e determinada a não passar mais um verão sem me lembrar de todas essas coisas de que, de verdade, tanto gosto.

Essa canção (que na gravação original tem a belíssima 2ª voz de Alzira Espíndola) ele não cantou, mas eu adoro.

Mais um verão
Já lá se vai a sumir
Por entre os dedos da minha mão
E nada guardei pra mim

E a geração
Que a tudo fez consumir
Volta a temer profecias
De astros em conjunção
Será que chegou o fim?

Por moedas de ouro e prata
Quanta gente ainda se mata, ai, ai
Eta velho mundo louco
Quer se destruir
Aconteça pois assim

Mais um verão
E só me resta fingir
Ir ao castelo da ilusão
Sonhando ser Aladim

Poder então
Por tudo me repartir
Ser como as folhas de outono
Num vento sem direção
Dormir em qualquer jardim

Aflição nem vou mais sentir
Se o segredo é se divertir, ai, ai
Eta velho mundo louco
Não quer mais sorrir
Entristeça, pois, enfim

Mais um verão
Já lá se vai a sumir
Por entre os dedos da minha mão
E nada guardei pra mim
(Mais um verão - Almir Sater e Paulo Simões)

23 de set. de 2008

Não adianta vir com guaraná


E., a senhora gordinha que limpa a casa todas as 2as feiras, é a maior chocólatra que conheço. Não! O aposto (leia-se apôsto, com “o” fechado, aquele das aulas de português, lembra?) que melhor apresentaria E. aos poucos leitores que sobreviveram à longa ausência desta blogueira não é esse. É preciso começar de novo.
E., a maior chocólatra que conheço, é uma senhora gordinha que limpa a casa todas as 2as feiras. Eu também adoro chocolate e com a maioria das pessoas que conheço não é diferente, afinal, quem não adora chocolate? Agora mesmo, estou a bordo de um Hersheys meio amargo, não aquele delicioso com um leve toque de laranja, mas o meio amargo básico, escuro e amarguinho como qualquer outro de sua categoria.
Mas eu falava de E., a gordinha chocólatra, que às 2as feiras, religiosamente, limpa a casa. Pois bem. E. tem 40 anos, 3 filhos adultos, marido, casa pra cuidar, cachorro – Boris – com quem passeia à noite “lá em Ferraz”, referência ao município de Ferraz de Vasconcelos onde mora, mãe e pai que vivem numa casa construída no mesmo terreno. Toda 2a, sai de casa às 4 da manhã, pega ônibus, trem, metrô e ônibus de novo para – religiosamente – limpar a minha casa. Pelo trabalho de limpar muito bem a minha casa – e as outras, aonde vai - religiosamente - às 3as, 4as, 5as, 6as e sábados, E. recebe R$50,00 e, não!, ela não tem nenhum dia vago!
Mas estou aqui pra falar de sua chocolatrice e não de seu trabalho. Posso afirmar que E. é chocólatra por diversas razões. Certa vez, trouxemos um chocolate de Campos do Jordão pra Manu, sobrinha da Junia. Ele ficou uns dias na geladeira, pois estava muito calor e, numa 2ª feira, desapareceu misteriosamente da geladeira. Noutra ocasião, a Yanaí trouxe uns pacotinhos de um chocolate feito com puro cacau lá da Bahia e, coincidentemente numa 2ª feira, um deles desapareceu misteriosamente da geladeira. Isso aconteceu também com os suíços, os de São Lourenço, os de Caxambu, os da Argentina. Já aqueles de canela, figo e outros sabores irreconhecíveis que sobram na caixa de bombons “Garoto” ficam a vida toda lá, intocados....
Ontem, 2ª feira, eu estava batendo um papo com E. e ela me mostrou umas bolinhas que estão aparecendo em todo o seu corpo. Desesperada, confessou:
-- O médico me disse que é do chocolate, vou ter de ficar 2 meses sem comer, pra ver se desaparece...
Aí aproveitou e contou tudo. Que no trem, os Hersheys (os grandes) são vendidos a R$2,00 e que não dá pra resistir. Ela compra um todo dia e come inteirinho até chegar à estação de Ferraz e quando não tem muito dinheiro compra pelo menos um pedaço.
-- Hein? Um pedaço?
-- É, custa R$0,25 o quadradinho, eu não passo vontade, não!
Se esse Hersheys meio amargo que eu estou comendo neste exato momento custou R$4,00 no supermercado, que compra por atacado, direto da fábrica, como é que pode custar a metade disso no trem???? E que história é essa de comprar um quadradinho a R$0,25 só pra não passar vontade? Fala sério, quem inventou isso???!!!!!
Definitivamente, é muito difícil deixar de ser a chocólatra gordinha num país como esse...

25 de ago. de 2008

Pitanga

(...) Nunca ninguém soube. Não me arrependo: ladrão de rosas e de pitangas tem 100 anos de perdão. As pitangas, por exemplo, são elas mesmas que pedem para ser colhidas, em vez de amadurecer e morrer no galho, virgens.

LISPECTOR, Clarice. Cem anos de perdão. In: Felicidade Clandestina.Rio de Janeiro: ROCCO, 1998.

29 de jul. de 2008

Os russos do avião

No vôo de ida, havia um moço russo sentado do meu lado. Quer dizer, eu acho que ele era russo porque falava uma língua muito estranha que resolvi que era parecida com o som do russo. Eu tive de pedir "licença" duas vezes pra ele: uma quando cheguei e outra quando precisei pegar um livro na minha bolsa que estava no compartimento de bagagens. Da primeira vez, como o vôo ia pra Argentina e ele tinha uma super cara de gringo, mandei um "con permiso" básico. Ele levantou e praguejou alguma coisa com um senhor que estava atrás dele. Imediatamente, um cara que estava na fileira da frente retrucou alguma coisa também em russo e os três engataram uma conversa que devia ser muito engraçada, cheia de R's e CH's e risadas. Aí eu pensei "por que diabos, se os 3 estão juntos, sentaram um atrás do outro na fileira do corredor?"
Assim que o avião decolou, eu percebi que havia deixado meu livro na bolsa e teria de incomodar o gringo de novo, mas ele já roncava. O russo mais velho estava no banco de trás e lia o "El Clarín". O da frente parecia ser mais novo e também roncava. Alguns minutos depois, começaram a servir comidinhas e a "azafata" chegou pra ele e perguntou em inglês "chicken or pasta?" Imediatamente ele olhou pro russo da retaguarda e falou qualquer coisa ininteligível que, traduzida, devia soar como "que aeromoça gostosa" porque o russo da frente começou a rir, depois o outro e por fim ele mesmo caiu na gargalhada. A pobre ficou ali com aquela carinha de kolynos esperando uma resposta e ele rindo. Eu já estava irritadíssima, tentando entender por que os caras riam tanto, quando ele, delicadamente, apontou pro frango. A moça serviu e se mandou rapidamente.
Depois que comemos, eu resolvi pegar o meu livro e mandei um "excuseme" já me levantando, pra garantir que ele ia entender. Ele levantou e - É CLARO! - aproveitou pra iniciar a conversa engraçada mais uma vez com os outros dois, enquanto esperava que eu me sentasse. Eu peguei o Barthes que me aguardava na bolsa, "thankyou", virei pra Juju e, baixinho, mandei um "Skavuska!" Pronto! Daí em diante, a cada vez que um dos três falava alguma coisa, a gente rebatia com um "na Sibéria não tem nada disso!" Rimos pra caramba.
O que me incomoda é que até agora não sei por que eles estavam rindo tanto... Vai ver que o comercial da NET de lá tem uma musiquinha que diz "Em São Paulo não tem nada disso"... Vai saber...

28 de jul. de 2008

Malba - Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires


Taxi do apartamento ao Malba - 12 pesos;
Entrada no Malba - 30 pesos;
Passear pelo museu e dar de cara com o Abaporu - definitivamente - não tem preço!

Avda. Figueroa Alcorta, 3415.

27 de jul. de 2008

Cementerio de la Recoleta


A Recoleta é um bairro lindo. Há uma praça com um Centro Cultural que apresenta obras de jovens artistas, um Centro de Design e uma feirinha aos fins de semana. Há também a Igreja de N.Sra del Pilar, que abriga um museu lindíssimo e o Cemitério da Recoleta.

Ninguém visita cemitério na sua cidade, mas quando se viaja pro país dos outros, surge uma vontade de fazer coisas estranhas, como ver as construções, analisar a arquitetura, observar os resquícios de uma burguesia que não existe mais, sei lá. O que eu sei é que estávamos por ali mesmo e resolvemos visitar. É simplesmente lindo! Os túmulos são majestosos, magnânimos, magníficos, o que mais??? É dificil elogiar um túmulo e eu não entendo nada de arquitetura, mas tudo é muito bonito mesmo.
É claro que se forma fila para ver o túmulo da Evita Peron (família Duarte), mas há outros lindíssimos, como o mausoléu dos soldados mortos na Guerra do Paraguay (!!!), por exemplo.
Bem, o que dá um medo danado é que os caixões ficam expostos, assim mesmo, na cara do visitante, e não escondidos como aqui. É estranhérrimo, você vai caminhando e dá uma olhadinha pelo vidro - e há túmulos inteirinhos de vidro - e dá de cara com um caixão. Há janelas quebradas por toda parte e o morto fica praticamente ao alcance da sua mão. Assustador, mas imperdível!!!
Avda.Junin, 1790.

26 de jul. de 2008

Biblioteca Nacional

Inauguramos a viagem com uma visita à Biblioteca Nacional da Argentina. Quem me conhece há muito tempo, sabe que eu era muito "BG" (vulgo "poncho e conga") na década de 80. Enquanto meus amigos ouviam a música dos "imperialistas americanos", eu passava horas e mais horas aprendendo espanhol com o povo do Raíces de América, do Tarancón e, claro, com a argentina Mercedes Sosa. Era a música latino-americana de protesto, que emanava sonhos de liberdade naquele tempo em que ainda vivíamos sob a ditadura militar.
Pois bem, chegamos à Biblioteca Nacional e, logo na entrada, um pôster gigantesco do Atahualpa Yupanqui que, à primeira vista pode parecer um ilustre desconhecido, mas é nada menos que o compositor da canção "Los Hermanos", grande hino da luta latino-americana contra as ditaduras. Fiquei ali, parada e alucinada, quase sem acreditar no que estava vendo. Além de manuscritos, livros e mais livros, artigos de jornal, videos de entrevista, havia muitos objetos que pertenceram a ele, seu violão e.... seu poncho!!!!
Avda. Agüero 2502.

Quem não conhece essa canção, veja a apresentação da Mercedes Sosa em seu show aqui no Via Funchal que eu, imperdoavelmente, perdi.

Cuadernos de un turista en Buenos Aires

Estive viajando. Vida de professor é assim mesmo, viaja-se na alta temporada, gasta-se mais, aumenta-se o limite do cartão de crédito pra poder comprar a passagem, depois volta e sai procurando mais e mais trampos pra poder pagar os "regalitos" que trouxe na mala, mas, enfim... fazer o quê? É assim que é assim!
Pois bem, passei uma semana na Argentina e há algumas coisas muito legais pra contar. Espero que, nos próximos dias, a falta absoluta de tempo não seja assim tããããão absoluta e que a preguiça me dê um descanso pra eu poder contar uma ou outra sensação que trouxe comigo das terras portenhas.
¡Hasta la vista!

17 de jun. de 2008

Hein?

Ontem recebi um e-mail que começava assim:
"Colégio Confessional Católico, situado na região central de São Paulo, procura profissional ...."

Colégio Confessional Católico... nem imagino o que isso quer dizer...

11 de jun. de 2008

Derramadas palavras

Cruzou, naquele dia, a soleira da porta pela última vez. Sem perceber, saiu deixando pegadas no vermelho que agora marcaria para sempre o piso do corredor. Não lhe caberia, sequer, saber que aquela ferida jamais cicatrizaria. Ao sair do prédio, entregou-se à amarga sensação de perda que o acompanharia em cada semáforo ultrapassado, em cada dia amanhecido, em cada cigarro que amarelasse um pouco mais a ponta de seus dedos. Era, agora, apenas mais um naquela história de amores, rompantes, paixões, frenesis.
Na manhã seguinte, o gosto do nome ainda teimava em lhe queimar garganta, língua, palato mole. "Nada que uma boa dose não cicatrize", diziam-lhe. No entanto, o riso, o gesto, o movimento frenético – embora delicado – de mãos. Olhos suplicando um afeto que ele não conseguiu dar, palavras e poesia a lhe cortar continuamente a pele da memória: sobras empilhadas, bem ali, na sua frente. Quantas vezes leu, releu cada uma daquelas frases em busca de compreensão? Quantas vezes percorreu cada período por um resto tênue de poesia? Quantas, tantas.
Ao lado da mesa, o triturador de papéis recém comprado. Relutou - mas fez, ainda que soubesse que bastaria um retrato, um cinema, uma canção, uma maldita rima para lhe sangrar a ferida em contínuas e patéticas gotas de derramadas palavras.

4 de jun. de 2008

Calcanhoto

(Quem disse que não há mais poesia na música brasileira?)

Teu nome mais secreto
Adriana Calcanhotto / Waly Salomão

Só eu sei teu nome mais secreto
Só eu penetro em tua noite escura
Cavo e extraio estrelas nuas
De tuas constelações cruas

Abre-te Sésamo! - brado ladrão de Bagdá

Só meu sangue sabe tua seiva e senha
E irriga as margens cegas
De tuas elétricas ribeiras,
Sendas de tuas grutas ignotas

Não sei, não sei mais nada.
Só sei que canto de sede dos teus lábios
Não sei, não sei mais nada.

19 de mai. de 2008

Pra tirar "demoneo"


Repare que ele tira qualquer tipo de "demoneo" e - o que é melhor! - de qualquer lugar!!!!

16 de mai. de 2008

Cor-de-rosa

Inda tenho aquele batom claro que você me deu. Vez em quando passo, e - exceto pelos olhos - fico com a mesma cara opaca da bofetada que deixei de te dar.

3 de mai. de 2008

Amar é...


Um dia desses eu vi uma colega no Orkut e descobri que ela havia se casado. Entrei na página dela, dei os parabéns, depois ela me agradeceu e hoje recebi um convite para adicionar como novo amigo "Sr e Sra Fulano de tal", duas pessoas num mesmo perfil identificado por um sobrenome que eu não conhecia. Quando entrei pra ver quem era, apareceu a seguinte mensagem: "Oi, agora que casei, estou estou deletando o meu perfil do Orkut, pois vamos ficar só com o do 'fulano'. Nos adicione, tá? Beijos".
Fiquei pensando aqui com meus botões que antigamente havia uma expressão horrorosa, mas meio comum, que dizia que "fulano e fulana juntaram as escovas de dentes". Apesar de juntas no mesmo porta escovas (ou no mesmo copo, arghhhh!), imagino que cada um continuava tendo a sua, não?
Morar na mesma casa, dormir na mesma cama, dividir o cobertor, a televisão, o banheiro, o chuveiro... Até ter o mesmo computador, vá lá, mas precisa ter um perfil só? Vai ver que eles juntaram até o e-mail, vai saber... É assim que é isso mesmo? Será que eu tô louca? Imaginava que casamento hoje não implicasse mais em perder a identidade, o espaço, em transformar-se "num só"... Fiquei pensando como teria sido o pedido de casamento:

- Amor... quero te fazer um pedido...
- Mesmo?!
- É... Acho que já tá na hora... Você quer juntar seu Orkut com o meu?!!
- Jura? Ai, querido, tudo o que eu queria da minha vida era juntar meu Orkut com o seu... Jura mesmo que quer ter o mesmo perfil que eu até o fim de nossas vidas?
- Juro... Faz tempo que eu venho querendo ter um Orkut só com você, mas não sabia como pedir... sei lá... acho que eu ia morrer se você quisesse continuar assim, cada um com um perfil diferente...
- Nunca, meu amor!!!! O que eu mais quero nessa vida é ter uma página só pra nós dois, gostar das mesmas coisas que você, ter os mesmos amigos, as mesmas comunidades, receber as mesmas mensagens com vírus, os mesmos spams pornográficos... Ai, ai, quanta felicidade...

28 de mar. de 2008

Festa estranha com gente esquisita


Ontem fui ao show da Bethânia com a Omara Portuondo. Festa estranha com gente esquisita... A Bethânia puxava a cubana pra trás o tempo todo e a cubana tentava empurrar a baiana pra frente. Sem bateria, os 3 percussionistas (Marcelo Costa, Andrés Coayo, Claudinho Brito) não deram conta do recado. Faltou sangue e suingue caribenhos pra acompanhar aquela velhinha elétrica de 76 anos. Resultado: um som individual maravilhoso, vozes lindíssimas que não combinavam uma com a outra e um grande vazio sonoro por trás, apesar da qualidade inegável de todos os músicos... Dureza!
E por falar em festa estranha com gente esquisita, outro dia fui ao aniversário de um amigo e saí de lá com uma sensação esquisitérrima. Não sei se porque eu ia muito à casa dele antigamente e depois parei, não sei se porque eu não conhecia ninguém direito, não sei se o povo que estava lá era esquisito mesmo, não sei se porque não bebi... Sei lá, vai ver que a esquisita sou eu.

26 de mar. de 2008

Enquanto isso, numa farmácia da China....


Chifre de veado, indicado para depuração do sangue.


Pênis de Foca, aconselhado como "Viagra Marinho".


E por favor não venham me dizer que eles vão dominar o mundo....

Imagens: http://olimpiadas.uol.com.br/2008/album/25032008remedios_album.jhtm?abrefoto=1

18 de mar. de 2008

Qualificação


Três horas depois... não sei muito bem pra onde ir e acho que eu tô com tontura...

17 de mar. de 2008

Meia hora de sono


Hoje descobri um caminho novo pra ir pro meu trabalho. Acho que economizo uns 15 minutos, mas vou testar de novo um outro dia dessa semana. Quem sabe consigo voltar a acordar na faixa das 6h e não das 5h... Ninguém merece levantar às 5h30 da madrugada, gente, tem dias que está um super breu!!!
Meus alunos vão agradecer, pois meia hora a mais de sono vai fazer muuuuita diferença no meu humor matinal....
(Como tá difícil viver em São Paulo!!!)

12 de mar. de 2008

A cantora careca


Estou sem voz. Totalmente sem voz. E sem vontade... Acho que é gripe, mas parou na garganta e não progrediu pro resto do corpo, deixando aquela sensação horrível de leseira interminável. Talvez tenha trocado o ataque físico pelo psicológico e me deixado com essa languidez toda... Talvez a leseira corporal ainda venha, sei lá. O que é um saco é que estou totalmente sem voz, difícil até pra falar no telefone. Tudo bem que já faz tempo que deixei de ser cantora, mas me incomoda muito não conseguir cantarolar com Paulinho da Viola no rádio do meu carro.

Amanhã tenho 6 aulas na 7ª série, "tipos de predicado"...
Iemanjá me guie!

7 de mar. de 2008

"Minha" sacola!




Vejam só que belezinha.... Entrem lá no BLOG da Fuzuê pra ver os outros modelitos.

Férias já

Ai, gente, tô precisando de férias.... De manhã, além de 5 sétimas séries, dou aula pra uma oitava e uma sexta. Às tardes, noites, sábados, domingos e feriados, faço revisão de textos. Dissertações, TCCs, monografias, artigos e por aí afora. Pois bem, o preço da revisão é X reais a lauda. Se a pessoa quiser, posso colocar no formato da ABNT e aí vai pra X+1. Esses dias fiz a revisão da dissertação de mestrado de uma moça super gente boa, toda ferrada lá com a orientadora dela, aquelas correrias de fim de mestrado. Ela queria que eu formatasse o texto dela e, por engano, acho que "dedei" errado e mandei o preço de X+2, ao invés de X+1. Fiz o trabalho e mandei a conta, cobrando X+1 a lauda, claro, pois era o preço. Ela, toda gentil, me mandou um e-mail dizendo que o preço combinado não havia sido aquele, mas X+2. A louca aqui entendeu que ela estava achando caro (porque eu sei que pesa na hora de pagar, é muito gasto com xerox, encadernação, enfim!) e mandei um e-mail todo malcriado, dizendo que o preço era esse mesmo, mas que eu sabia que estava caro e então ia cobrar só X, ao invés de X+1. Quando eu dei o "Enviar", achei que tinha alguma coisa esquisita... Se ela estava achando caro, por que me dizia que o preço era X+2? Resolvi olhar o e-mail inicial e vi que havia mandado o valor maior mesmo e ela - coitada - só queria me dizer que eu estava fazendo a conta errada e ia tomar prejuízo. Ai, que vergonha... Agora diz aí: por que é que não dá pra "desmandar" um e-mail imediatamente depois que você clicou no enviar? O resultado é que não vou ter cara pra receber o valor correto da pobre mestranda que só queria ser educada comigo...
E a propósito de "Férias já", alguém aí tem uma receita mágica pra dar aula pra sétima série sem microfone?

29 de fev. de 2008

Chega de Plástico!!!


Pois é, a preocupação com o planeta saiu dos discursos dos ecologistas e veio parar na ação e nas práticas conscientes. Hoje, quase todo mundo que eu conheço recicla suas latinhas, jornais e embalagens pet, ou pelo menos sabe da importância de tentar diminuir o lixo do planeta. Uma outra ação consciente que vem ganhando corpo é a diminuição do uso das sacolinhas plásticas de supermercado. Desde a racionalização da quantidade que a gente leva pra casa - por que eu não posso colocar o shampu e o sabão em pó no mesmo saquinho da lata de molho de tomate? - até o uso de sacolas não descartáveis, toda ação é extremamente bem-vinda. E a indústria da moda que o diga! Toda griffe que se preza já tem a sua sacola de supermercado.
A Fuzuê, ateliê campineiro de arte em tecido, também criou suas sacolas, juntanto design, arte e texto, mas pra isso criou um concurso em seu Blog, com o objetivo de eleger as melhores frases pra estampar nas sacolas. O resultado disso é que esta blogueira que vos fala foi uma das três vencedoras do concurso da Fuzuê.
Essas belíssimas, ecológicas e funcionais sacolas podem ser vistas nesse fim de semana na 12ª Craft Design, no Terraço Daslu.
É mole?????? Semana da Moda de Milão, here we go!!!!

20 de fev. de 2008

Cinema redescoberto

No século passado, quando ainda estudava Filosofia, saía da FFLCH e ia até um ponto de ônibus que ficava bem em frente à Fac.de Educação pra pegar carona. Quando dava sorte de aparecer alguém indo pra Paulista, eu ia ao cinema. Sozinha. Descia perto da Consolação e ia até o Belas Artes. Ou então, vinha andando pela avenida, sentido Brigadeiro, até o prédio da Gazeta, e ia ao Cine Gazeta (era assim que se chamava antes de virar Reserva Cultural). Eu adorava ir ao cinema sozinha, desfrutar de um prazer que era só meu. Depois, não sei exatamente o porquê, resolvi que não gostava mais de ir ao cinema sozinha e, como nem sempre se tem uma companhia a fim de assistir ao mesmo filme que você (no mesmo horário e no mesmo lugar), minhas idas diminuíram bastante.
Passei, então, a ir sempre acompanhada, e acabei descobrindo companhias ótimas, outras nem tanto, algumas mais ou menos. Descobri a companhia profissional: aquele amigo com quem você se encontra só pra ir ao cinema (e é ótimo!); a companhia chata: aquele que, por algum motivo, não gostou do filme e fica reclamando o tempo todo, dizendo que preferia ter ido ao “filmetal”. Descobri a companhia perfeita: o que se emociona pelo mesmo motivo que você, que entende o filme do mesmo jeito que você, que discute aquela cena legal, que é capaz de falar horas e horas sobre o filme, depois, num café. Descobri que nem todo amigo é boa companhia pra cinema e que há amigos “Hollywood”, amigos “Woody Allen” e amigos “Godard”. Descobri que eu devo ser uma péssima companhia, pois tenho a mania horrível de ficar fazendo previsões sobre a próxima cena, um saco, enfim.
Essa semana redescobri o prazer de ir ao cinema sozinha. Havia muito tempo que não fazia isso, sabe? Abri o Guia da Folha como quem não quer nada e lá estava: “Meu nome não é Johnny”, Market Place, 13h50. Olhei no relógio, 13h20, pensei: dá tempo. Fazia um tempão que eu queria assistir a esse filme e nunca dava certo de alguém ir comigo. Fui.
Fui e lavei a minha alma. Primeiro porque eu A-DO-RO o Selton Melo, sou fã de carteirinha, daquelas que são capazes de dar vexame quando, por acaso, encontram o cara em algum lugar; segundo porque é impossível ser mãe e não se emocionar em algum momento assistindo àquele filme; terceiro porque redescobri que é possivel, sim, ir ao cinema sozinha. Ainda que eu não seja a companhia perfeita.

19 de fev. de 2008

All Star


Quando terminei o curso de Letras, estava resolvida a dar aula em faculdades, pra adultos. Dizia que trabalhar com crianças não era pra mim, que tinha de ser no mínimo no Ensino Médio. Depois entrei no Mestrado firme e forte na minha convicção de não dar aula pra crianças. Hoje eu brinco que sou a rainha da 7ª série, pois todo lugar em que penso em trabalhar, me chama pra dar aula pra 7ª série (ou 8º ano). Sina... Karma.... Sei lá, vai ver é porque eu adoro All Star e descobri que eles também. É incrível como todas as vezes em que resolvo aparecer numa escola calçando meu velho e preto All Star, algum aluno sempre sai com algo assim: "Nossa, professora! Que legal!! Você usa All Star!!"
Da primeira vez em que aconteceu, eu não liguei. Estava fazendo estágio num colégio de freiras e pensei que era porque lá as professoras se vestiam de maneira muito séria. Depois, já num colégio totalmente descolado, a mesma coisa: "Caraca!!! A professora usa All Star!!!" O tempo passa, a escola muda, e de vez quando algum aluno ressuscita a mesma surpresa.
Ontem de manhã, um japa todo bonitinho e CDF (outro colégio, nem de freira, nem tão descolado) me solta, num tom de absoluta cumplicidade:
- Professora, você é mó legal, super descolada!
- Por quê? - respondi, debaixo de meu guarda-pó branco.
- Ué... É que além de ter óculos da TNG, cabelo vermelho e anel no dedão, você também usa All Star!
Sorri. Ah, menino.... - pensei cá com meus botões - e você ainda nem viu as tatuagens....
Quer saber? Dar aula pra criança é mó legal!

9 de fev. de 2008

Cala a boca, Francisco!

Quando a tua mulher ficou grávida do Otávio Augusto você disse que não era teu e eu acreditei. Depois o menino foi crescendo e até aquela pinta que você tem perto do queixo, ele tem igual. Sabe o que você é? Um covarde! E esse filho agora, não é teu também? Cala a boca, Francisco, que paciência tem limite e o meu limite chegou. Essa vaca ta grávida de novo e você vai me dizer que o filho não é teu? Vai, fica com ela, fica de uma vez com a tua mulher que eu vou cuidar da minha vida... Faz 10 anos que todo dia você diz que vai largar a Madalena. Dez anos que eu aturo toalha molhada em cima da minha cama, xícara de café com bituca de cigarro, dez anos que eu abaixo a tampa da privada depois que você sai do banheiro. Faz dez malditos anos que eu não saio com outro homem, que eu não sei o que é uma boa trepada. Cala a boca, Francisco! Ela nunca te disse que você trepa mal? Pois você é muito ruim de cama!!! Eu finjo que gozo porque te amo. Finjo! Eu gemo cada vez que você sobe em cima de mim, pra parecer que eu tô gostando, mas transar com você é frustrante! E a Efigênia deve achar a mesma coisa! É, pensa que eu não sei da Efigênia? Cala a boca, Francisco, que eu quero falar! Vai dizer que é mentira? Todo mundo comenta da Efigênia! Dez anos de dedicação exclusiva e você me enganando com aquela biscate de cabelo vermelho! Você não me merece! Tua mulher, ainda vá lá, é tua mulher, casou com você, mas botar cifre na amante? E com a ex mulher do meu próprio irmão? Quer me desmoralizar, Francisco? Eu, que passei 1/3 da minha vida plantada em casa assistindo “Tela Quente” no sábado à noite?! Eu, que tô com a bunda quadrada de tanto “Domingão do Faustão”? Eu que agüentei teu pinto pequeno a vida inteira? Cala a boca, Francisco, cala a boca e vai embora de uma vez! E antes de sair, volta lá naquele maldito banheiro e abaixa a porra da tampa da privada!

28 de jan. de 2008

From hell

Um dia, me chamaram de “mulher diaba”. É claro que a alcunha tinha todo um contexto que não vem ao caso agora. O caso, em si, é que achei isso péssimo naquela ocasião, no início fiquei mal, “como é que podem falar isso de mim?!” – pensava. Com o passar do tempo – e as mudanças desse mesmo contexto – fui achando engraçado, fazendo troça com o codinome, avermelhando mais e mais meus cabelos vermelhos de “mulher diaba”. Depois, tudo mudou (mais uma vez o tal contexto), tingi os cabelos de castanho (“pra esfriar a cabeça”, dizia eu àquela época) e deixei de ser a “mulher diaba” (não porque mudei a cor do cabelo, mas por todo aquele contexto que mudava de novo e coisa e tal).
Hoje, meus cabelos estão novamente vermelhos, ninguém mais me chama pela alcunha em questão, mas não é legal saber ter sido, um dia, na cabeça de alguém, uma mulher diaba de verdade? Tridente poderoso, rabo enorme, chifres dos bons, gargalhada from hell tipo Ana Carolina e aquele fogo do inferno queimando ao redor da minha cabeça? Adorei me lembrar disso....

24 de jan. de 2008

Como faca

Acordou com gosto de sangue na boca.
Quis mover-se, mas estava inerte, pesado; braços e pernas não obedeciam aos comandos cerebrais, ainda que pensasse com vigor nos movimentos. Quando tentou falar, nada ouviu, além do total e irremediável silêncio circundante. Estava morto. Sim, estava morto, pensava, embora o silêncio da voz e a imobilidade do corpo não impedissem o gosto do sangue que lhe escorria do canto da boca.
Fechou os olhos – ou imaginou que fechasse – e tentou lembrar do que havia acontecido na noite anterior: antes das onze, sentiu uma leve tontura; deitou-se no sofá e adormeceu; teve uma noite agitada, se mexeu muito, mas sonhou com o futuro. De alguma maneira, se sentia mais livre e podia sonhar. Depois disso, nada mais. Acordou com gosto de sangue na boca.
Abriu e fechou os olhos novamente, tentou, em vão, mais uma vez, se mover. Teve a sensação de estar com o pescoço molhado e quente. Pensava em voltar a dormir e se livrar do sonho ruim, quando viu claramente a imagem da mulher chorando calada, enquanto ele vertia palavras impregnadas de dor e rancor. Lembrou-se, então, de tudo o que antecedeu à tontura: a tristeza, a dor da moça, o gosto amargo da mágoa, o adeus sem jeito, apressado e, acima de tudo, o som gutural de sua voz ao proferir aquelas palavras.
Já se haviam cortado antes disso. Já se haviam ferido, maltratado, mas ele nunca dissera nada tão fortemente cruel, capaz de destruir a alma de alguém. Nunca dissera algo tão cortante, que lhe deixasse a boca em sangue. Foi, então, que se sentiu agonizante e se arrependeu.
Não quis dizer aquilo, de verdade, não pensava daquela maneira; estava magoado e acabou libertando suas piores palavras, aquelas que se escondiam no canto mais escuro de seu vocabulário. Chegou mesmo a duvidar se as havia dito, mas já era tarde: ambos estavam mortalmente feridos.
A palavra rebenta, quando proferida – e aquelas, como faca, lhe haviam cortado língua, boca, garganta, esôfago, estômago, intestinos. Tudo a seu redor era, agora, silêncio e sangue a escorrer quente e viscoso do canto de sua boca, tingindo de vermelho o forro claro do sofá da sala.

(velhos textos, quando fora do contexto, são uma delícia de se ler.)

12 de jan. de 2008

O MELHOR DA MPB 2007 - 3

"Nosso sonho Se perdeu no fio da vida
E eu vou embora sem mais feridas, sem despedidas
Eu quero ver o mar, eu quero ver o mar

Se voltar desejos ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música, música
Se lembrar dos tempos, dos nossos momentos
Lembre da nossa música, música

Nossas juras de amor já desbotadas
Nossos beijos de outrora foram guardados
Nosso mais belo plano desperdiçado
Nossa graça e vontade derretem na chuva

(...)

Um costume de nós fica agarrado
As lembranças, os cheiros dilacerados
Nossa bela história está no passado
O amor que me tinhas era pouco e se acabou..."

Música (Liminha / Vanessa da Mata)

Tudo bem, não é de 2007, mas tocava toda hora e é - muito - linda.

7 de jan. de 2008

O MELHOR DA MPB 2007 - 2

"Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar..."

Ruas de Outono (Ana Carolina/ Antonio Villeroy)

Daria pra escrever um livro mesmo...

4 de jan. de 2008

O MELHOR DA MPB 2007 - 1

E como nem só de pior vive a nossa música, vamos tentar elencar aqui as 10+ de 2007. Na verdade, não importa muito se a canção é mesmo de 2007, mas se a ouvimos no rádio no ano passado. Aqui vai a primeira, na minha opinião uma das mais bonitas letras que ouvi nos últimos tempos. Dê seu voto!

"Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutos em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonhos semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa, vem andar e voa
Vem andar e voa
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for"

Vilarejo (Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes)

30 de dez. de 2007

O PIOR DA MPB 2007 - 10

"Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já"

Lugares Proibidos (intérprete: Helena Elis)

Nossa Senhora!!! Tá difícil de decidir quem leva o troféu abacaxi 2007....

26 de dez. de 2007

O PIOR DA MPB 2007 - 9

"A sorte está lançada
Jogou a âncora pra nada
A gente acha que tudo
Se resolve de uma vez

E de qualquer maneira
Seja num dado ou numa cartada
Quem a gente quer
Nem sempre se resolve de uma vez"

Nunca Desista do Seu Amor (Rodrigo Santos)

Seja num dado ou numa cartada?!?! Afe!!!

O PIOR DA MPB 2007 - 8

"Você faz tudo que eu quero fazer
E eu sou tudo que você quer ser
Seu ar é fumaça
O meu ar é o que passa"

Parei pra te ver (Penha Pinheiro)
Composição: Laura Campaner / Luiza Gimenez

O pior é que eu sei que a Penha batalhou pra caramba pra conseguir ter uma música tocando no rádio, mas I'm sorry... "seu ar é fumaça, meu ar é o que passa" é demais!

O PIOR DA MPB 2007 - 7

"Me abracei em suas roupas no armário
Todas elas têm o teu cheiro
(...)
De repente o telefone toca
De um susto a princípio, num impulso, eu quase atendi
Aí eu me pego ao passado que se acabou
A secretária dispara, eu ouço a voz sua.
É para você, é outra pessoa procurando você
E pelo recado eu vejo que você já está em outra
Já está em outra ah, ah!
Melhor eu ir embora
E não esquecer de jogar as suas chaves fora ah, ah!"

Jogar as Chaves (Dejavu) - VOTO DA MARÍLIA

O ex entra na sua casa sem autorização, se abraça com suas roupas, se pega ao passado que se acabou (!!) e ainda quer atender o telefone???? Onde é que nós estamos????!!!! Pior ainda é o ahahahah que faz parte da letra. Imperdível! Não deixe de ouvir.

25 de dez. de 2007

O PIOR DA MPB 2007 - 6

A ana é azeda
Mas é doce quando é doce
A ana é azeda
Mas muito doce quando é doce


A Ana (Ana Cañas / Alexandre Fontanetti)

no comments...

21 de dez. de 2007

O PIOR DA MPB 2007 - 5

Quem dera ser um peixe
Para em teu límpido aquário mergulhar
Fazer borbulhas de amor pra te encantar
Passar a noite em claro, dentro de ti
Um peixe, para enfeitar de corais tua cintura
Fazer silhuetas de amor à luz da lua
Saciar esta loucura, dentro de ti


Borbulhas de Amor (Fagner) - VOTO DA JUNIA

Essa é antiga, mas maravilhosa! Imagine todas aquelas borbulhas de amor na água, hein? hahaha!

20 de dez. de 2007

O PIOR DA MPB 2007 - 4

Tudo começou
Janeiro verão sol praia
Do mar você me olhou
E procurou a mais perfeita
onda
Que onda
Rolei na areia e fiquei louca
Muito louca


E quando você pensa que acabou, vem o refrão:

Tem que viver valer viver
Tem que viver pra valer
Tem que viver valer viver
Tem que viver pra valer


Tem que valer (Kaleidoscópio) - VOTO DA MARÍLIA

O Djavan vai pra praia e fica com inveja da pedra e agora isso. Acho bom mudar os planos do reveillón...

19 de dez. de 2007

O PIOR DA MPB 2007 - 3

Leão, camelo, garoto, acrobata
E não há luar
E os deuses gostam de se disfarçar


O Circo (Orlando Morais - Antônio Cícero) - VOTO DA JAM

Vinda do marido da Glória, até que tudo bem, mas será verdade que a Betânia gravou isso?!?!?!

O PIOR DA MPB 2007 - 2

Tudo que eu penso
de tudo aquilo que não venço
eu quase sempre estou propenso
a achar que você é tudo

Este é o momento
de por em jogo e em movimento
na forma do meu pensamento

Você é todo o conteúdo
É tudo, é tudo, é tudo
do meu meu pensamento
é o conteúdo


Completo Conteúdo (Klebi Nori)

Klebi, Klebi... Rimas que emudecem a paulista...

O PIOR DA MPB 2007 - 1

Não mais a vi, desde abril,
Fui pro mar e você lá deitada na pedra
Que inveja dessa pedra


Pedra (Djavan)

Que inveja dessa pedra?? Fala sério, Djavan!

"Um instante, maestro!"

Eu costumo ouvir muito rádio no carro, pois dirijo quilômetros pra chegar ao trabalho, além de enfrentar um trânsito que paulistano nenhum merece. Nos últimos tempos, tenho reparado que as letras da MPB estão cada vez piores, músicas com um puta suingue e aquele verso horrível que te faz meter o pé no freio, mudar de estação, abrir a janela, ou colocar o primeiro CD que aparece pela frente. Há alguns versos que fariam o finado Flávio Cavalcanti tirar e pôr umas mil vezes os pesados óculos pretos, levantar da tumba e voltar aos palcos com seu “Um instante, maestro!” pra quebrar em pedacinhos os CDs de alguns brilhantes compositores que andam por aí. O pior é que esse fenômeno de emburrecimento poético não está concentrado nos autores novos, desconhecidos, mas ocorre, inclusive, com artistas consagrados.
Resolvi, então, iniciar a série: “O PIOR DA MPB 2007”. Não importa se você gosta do intérprete, compositor, ou se a música é até legal e boa de dançar: estamos falando da letra – ou daquele trechinho – que é uma droga.
Acompanhe as pérolas e mande seu voto!

13 de dez. de 2007

Insensatez

Escapa por entre dentes, subtraída de gestos, gostos, restos
deleita-te sozinha em meio ao risco do meu veto.
Amarga, enfim, o negro árido e insensato do teu gosto e
proferida
cala o medo do desejo surdo que te ecoa.

23 de out. de 2007

Simples assim 10

Trabalho é uma coisa que você precisa e está sempre em falta. Quando aparece, vem em dupla e você tem que recusar um. Que nem festa.

18 de out. de 2007

Simples assim 9

Mágoa é aquilo que você sente quando pensa em alguém que levou embora o brilho dos teus olhos.

17 de out. de 2007

Simples assim 8

Morte é uma puta sacanagem que a vida faz com a gente.

21 de jun. de 2007

Simples assim 7

Memória é algo que te habita, mas vai embora na hora em que você mais precisa dela.

14 de mai. de 2007

Simples assim 6

Lembrança é algo que te puxa pra trás quando você pensa que já pode seguir em frente.