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24 de ago. de 2009

Lee Cover


Mexer em antigas fotos dá nisso... Banda Lee Cover, lá pelos idos dos anos 90, no Café Piu Piu. Eu me montava toda pra cantar Miss Brasil 2000, era muuuuito divertido.... Essse vestidinho vermelho de crochê é dos anos 70 e foi da minha mãe, que comprou pra ir à formatura de uma prima minha. É ma-ra! Tenho até hoje...

15 de jun. de 2009

O único intruso era o tempo

[...] Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração, tudo iria, afinal, acabar. Porque ele anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem nada mais, nem outra mulher havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. Eu insisti, louca de tristeza. Não havia mesmo outra mulher? Não havia. O único intruso era o tempo, que nossa rotina deixara crescer e pesar. Ele se chegou e me beijou a testa. Como se faz a um filho, um beijo longe da boca. Meu peito era um rio lavado, escoado no estuário do choro.

Trecho do conto "A despedideira", de Mia Couto (In: O fio das missangas, Cia das Letras, 2009).

8 de jun. de 2009

Tempo, tempo, tempo, tempo... és um dos deuses mais lindos

Certa feita, gostei muito de um moço. Quase me casei, é fato, mas, antes que isso acontecesse, olhei bem pra ele e vi que não daria certo. Eu já havia saído de um casamento que foi um naufrágio total e vi, nesse moço de quem gostava, defeitos muito parecidos com os que haviam me afastado do ex. Enfim....
Anos e anos se passaram e, semana passada, do nada, sonhei com ele. Nos encontrávamos numa espécie de repartição pública, ou banco... qualquer coisa assim. No início, eu disfarcei, mas ele me viu. Aí eu encarei e fui até lá falar com ele e foi um encontro muito legal, confesso, trocamos um looooongo abraço.
Quando acordei, não havia saudade, arrependiento, vontade de voltar o tempo, vontade de revê-lo, nada disso... ficou apenas a sensação boa daquele abraço que trocamos ali, na fila do banco.
O problema é que ele estava exatamente como era há 10 anos, quando nos vimos pela última vez, mas nesses dez anos eu envelheci, engordei, emagreci, engordei de novo, arranjei cabelos brancos que disfarço com tinta vermelha... enfim, mudei! e ele ali do mesmo jeitinho, que injustiça!
Mas passou.
Hoje recebi um recado de uma amiga pelo orkut e, quando fui responder, qual não foi a minha surpresa: havia uma foto da família dela e ele estava lá, eram muito amigos. Cliquei, não resisti. Não preciso dizer que quase chorei de tristeza... como ele envelheceu, meu deus... acho que uns 20 anos em 10, está mais magro, os olhos caídos, o cabelo branco, barba por fazer, nossa!!!!

Como o tempo foi bom comigo... e o destino também.

1 de dez. de 2008

Delonga

Às vezes sinto saudades da escrita. Acariciar palavras, embaralhá-las, sentir nas mãos sua textura. Noutras, sinto saudades do tempo, seu contar de horas caminhando lentas, delongadas uma após a outra. Há vezes, ainda, em que sinto saudades de uma areia viscosa e densa a tocar-me os pés e roçar-me o corpo, trazida grão a grão pelo vento quente. Saudades de ler Rimbaud e, boêmio, ter com ele. Versos de amor infinito a invadir a alma.
Emaranhada em novelos de palavras, me desfaço tempo, areia, saudade.